11 filmes para assistir e comemorar


É possível sentir que junho tem uma energia diferente. O mês do orgulho LGBT+ transborda de força, coragem e luta, e neste ano não poderia ser diferente. A Revolta de Stonewall completa, em 2019, 50 anos. A Parada LGBT de São Paulo atingiu 3 milhões de pessoas em sua última edição.

Hoje, este mês especial chega ao fim. Nos sentimos acolhidos por todos os lados. Marcas mostrando o apoio — mesmo por marketing — são importantes na televisão, em sites, em canais do YouTube. E, agora, deixo aqui uma lista de filmes atuais que nos enchem de orgulho e que mostram, com poder, maestria e honestidade, a luta de todos os dias da comunidade que batalha por direitos, liberdade e amor.

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Brokeback Mountain (2005)

Jake Gyllenhaal e Heath Legder em ‘Brokeback Mountain’, de 2006.

Conhecido por ser um dos melhores e mais enigmáticos papéis do gigante Heath Ledger (falecido em 2008) e contando com o talentoso Jake Gyllenhaal, o longa do tailandês Ang Lee segue a vida de dois caubóis que se envolvem romanticamente depois de um trabalho que realizaram juntos e seus reencontros ao longo dos anos.

Ambos bissexuais e casados, eles vivem uma relação intensa de paixão e desejo, confusão e angústia enquanto seus caminhos se desenrolam. O final é um soco no estômago e um duro choque de realidade ao nos mostrar um fato que ocorre todos os dias ao redor do mundo, mas não vale menos por nos fazer mergulhar em um romance imbatível, cruel e dos mais emocionantes.

Imagine Eu e Você (2006)

Lena Headey e Piper Perabo em cena de ‘Imagine Me and You’, de 2006.

Sem um final de soluçar ou soco no estômago algum, Imagine Eu e Você é a comédia romântica LGBT+ que merecemos. Luce, protagonizada por Lena Headey (a icônica Cersei Lannister) é a florista do casamento de Rachel (Piper Perabo, de O Grande Truque), que, ao notá-la na multidão, se sente completamente desbalanceada.

Ao descobrir que a primeira é lésbica, Rachel começa a questionar a sexualidade e o casamento. Um belo conto de amor e coragem que deixa o coração de qualquer um quentinho.

Pariá (2011)

Adepero Oduye em ‘Pariah’, de 2011.

Considerado um marco no cinema negro e LGBT+, dirigido por Dee Rees (diretora do aclamado Mudbound), conta a história de Alike, uma jovem lésbica que, mesmo aceitando sua sexualidade, receia não ter o apoio dos pais caso conte a eles — um medo que, infelizmente, ainda aflige muitos.

Alike têm aliados que a motivam e uma família que desconfia de sua verdade, e quando ela se aproxima de uma nova companhia, essas questões entram em cheque. Originalmente, tal história era um curta da diretora, que resolveu transformá-lo em um filme tocante e brutal.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)

Ghilherme Lobo e Fábio Audi em ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, de 2014.

É claro que quem gosta de cinema LGBT+ já assistiu esse filme, mas é sempre bom recomendar novamente. Considerado uma pérola do cinema brasileiro, segue a vida de Leonardo, um jovem deficiente visual que encontra o amor em um colega inesperado.

Esse romance em slow burn faz nosso coração crescer a cada cena do casal e conta com um carinho e ternura na direção e atuação que é impossível não se emocionar.

Tangerine (2015)

Kitana Kiki Rodriguez, James Ransone e Mya Taylor em ‘Tangerine’, de 2015.

Dirigido por Sean Baker, responsável pelo adorável e maravilhoso Projeto Flórida, o longa Tangerina é inovador por ter sido gravado inteiramente em seu iPhone. Mas, indo além das questões técnicas, o filme acompanha a jornada de duas garotas de programa transexuais em seu caminho para confrontar o chefe e o namorado de uma delas, que fora infiel enquanto a profissional estava na cadeia.

Para completar, as duas protagonistas do filme nunca haviam atuado antes, entretanto trabalhavam na área em que o longa fora gravado — e é sabido que a marca de Sean é contratar atores novos e inesperados que sempre surpreendem e impactam.

Mãe Só Há Uma (2016)

Naomi Nero em ‘Mãe Só Há Uma’, de 2016.

Mãe Só Há Uma — ou, em inglês; que transparece muito mais a identidade do filme do que o título brasileiro, Don’t Call Me Son (“não me chame de filho”, em tradução literal)conta a história de Pierre, um adolescente que, ao descobrir que sua mãe, na verdade o roubou do hospital, tem de se adaptar não só apenas à sua nova família, como também à sua nova identidade.

Dirigido por Anna Muylaert, diretora de Que Horas Ela Volta?, foi inspirado em um caso real de sequestro (o caso Pedrinho, de 1986), mas quebra a barreira do simples documentário e retrata um conflito interno muito maior do protagonista, que não define sua sexualidade e nem sente necessidade disso.

Preso entre duas famílias que tentam o decifrar enquanto ele mesmo encara seus mistérios, o longa é sensível, contemporâneo e honesto.

Moonlight — Sob a Luz do Luar (2016)

Alex Hibbert em ‘Moonlight’, de 2016.

Por muitos considerado o melhor filme LGBT+ da atualidade, Moonlight — Sob a Luz do Luar levou nada menos do que três estatuetas do Oscar para casa, incluindo a de Melhor Filme — sendo o primeiro, em toda a história da premiação, contando com um elenco inteiramente negro e tratando de uma história sobre a vida de um homem gay.

O que mais toca no longa baseado em uma peça de teatro chamada In Moonlight Black Boys Look Blue é sua inovação, que culmina em uma crueza e honestidade gigantes. Ao trazer o filme dividido em três fases — Chiron como criança, adolescente e adulto — o diretor Barry Jenkins conseguiu criar uma miríade de perspectivas em diversos problemas e conflitos que o protagonista teve: o vício de sua mãe em drogas, sua figura paterna inesperada, sua primeira experiência sexual e seu consecutivo medo de se relacionar quando adulto.

A última cena é tocante, e o filme, em sua totalidade, é um mar de emoção pura, não lapidada e tão profunda que traz questionamentos em todos os pontos de nossa vida. Para ver e rever sempre.

Uma Mulher Fantástica (2017)

Daniela Vega em ‘Una Mujer Fantastica’, de 2017.

Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2017, o longa chileno segue a história de Marina, uma personagem trans também protagonizada por uma mulher trans, Daniela Vega, quando seu parceiro romântico acaba falecendo e a família dele ultrapassa todos os limites de sua privacidade e de seu luto.

Contando com uma performance poderosa e com uma perspectiva crua e na luta que Marina tem para conquistar direitos básicos como respeito e a dura conquista do amor próprio, longe da humilhação e da diminuição dos seus sentimentos e do seu ser.

Desobediência (2017)

Rachel Weisz e Rachel McAdams em ‘Disobedience’, 2017.

Desobediência foi facilmente um dos melhores filmes de 2017. Protagonizado por duas queridinhas do cinema, Rachel McAdams (Diário de uma Paixão) e Rachel Weisz (A Favorita), e dirigido pelo diretor de Uma Mulher Fantástica, Sebastian Lelio, conta a história de uma comunidade judaica ortodoxa e em como a relação de duas lésbicas se dá depois de muito tempo sem se encontrarem.

Uma delas (Weisz) fugiu desse local e foi viver livremente; a outra (McAdams) ainda vive lá, casada com um homem e escondendo sua verdade de todos. Com um olhar muito chocante na questão religião x sexualidade, o desenvolver da relação dessas duas mulheres é lindo, mas também angustiante. Essa mistura de sentimentos é o que faz o filme ser uma pérola, ao nos fazer analisar o quão claustrofóbica pode ser uma vida encoberta em mentiras e a busca incessante pela liberdade.

O Mau Exemplo de Cameron Post (2018)

Forrest Goodluck, Sasha Lane e Chloë Grace Moretz em ‘The Miseducation of Cameron Post’, de 2018.

Ao ser descoberta como lésbica pelos pais, Cameron é mandada para um acampamento da igreja onde supostamente se cura a homossexualidade.

Além de abranger toda a questão religiosa, toca principalmente na paixão adolescente e em todos os seus lados bons e ruins — e mostra, com força, a coragem que todo jovem tem em nunca deixar algo tão importante quanto sua sexualidade ser tirada de si.

Fora de Série (2019)

Kaitlyn Dever e Beanie Feldstein em ‘Booksmart’, de 2019.

Fechando com um filme bem atual, Fora de Série é o primeiro trabalho de Olivia Wilde (Ela, A Vida Em Si) como diretora e já está dando o que falar, tanto por sua história maravilhosa, tanto por seu talento por trás das câmeras.

O filme segue a vida de duas adolescentes em seu último ano de ensino médio e sua noite alucinante na busca de uma festa memorável que marquem seu tempo escolar. Uma delas, Amy, se descobriu lésbica há anos mas nunca teve coragem de beijar uma garota, e essa é sua oportunidade.

Apesar de sua sexualidade não ser o foco do filme, a diretora e o trabalho sensacional da atriz Kaitlyn Dever trazem uma perspectiva hilária, honesta e emocionante de se descobrir e buscar intimidade.

Por enquanto, é só!

Cada passo é uma vitória e cada vitória conta. Desejo liberdade e o amor que você, leitor que luta por isso, tanto merece. O mês acabou, mas o orgulho fica, permeado nas ações de todos os dias e nas conquistas, grandes e pequenas, que levam a revoluções. Até a próxima!

[Texto de 30/06/2019]

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